Unidas do guarda-chuva

Era para ser só mais um  carnaval comum.

– Precisamos fazer uma crônica sobre esta tragédia.

– Uma não, duas.

– Fechado!


Até a quarta-feira que antecedeu o final de semana de carnaval tudo era sol e calor. Só até às 17h57 minutos de quarta-feira. A expectativa em torno do carnaval que se aproximava foi tão grande quanto a chuva que anunciou: este carnaval não será fácil.

unidas do guarda chuvaNa quinta-feira a esperança se mantinha firme. O encontro estava combinado para o final do expediente, finalmente começariam a pular o carnaval. Depois de quase uma hora esperando a chuva passar, a única coisa que pularam foram as poças d’água que encontravam na volta para casa.

– Não há de ser nada! Amanhã é sexta-feira de carnaval, começaremos oficialmente!

O tempo fechado, mas sem nenhuma gota, da sexta-feira renovou os ânimos. Seria finalmente a inauguração do primeiro carnaval em uma cidade que prometia as fantasias de que blocos e desfiles trariam a felicidade naquele feriado prolongado. Tudo fantasia. Porque treze segundo depois de entrar no ônibus o mundo desabou em água.

– Logo passa. Vamos aproveitar! – a chuva durou até às 14h de sábado.

Depois de duas chuvas insistentes, não seria uma tempestadezinha que faria o carnaval ir ralo abaixo. Mais insistentes do que a chuva, foram atrás de um bloco de rua, que não saiu porque a chuva estava tão forte  a ponto de fazer a luz do bairro acabar. Como estavam realmente decididas a encontrar algo para se divertirem, rumaram para uma festa qualquer a céu aberto. Encontraram apenas água – muita água – caindo do céu.

Aguentaram firmes e fortes debaixo do único guarda chuva que haviam levado. Não adiantou muito, uma vez que a chuva vinha de todas as direções. As Unidas do Guarda-Chuva voltaram molhadinhas para casa.

Só foram ter dimensão da chuva que enfrentaram no dia seguinte assistindo ao noticiário. A maior chuva do ano, deslizamentos, acidentes… Nada daquilo era mais triste do que a tragédia pessoal que acometia suas expectativas sobre o carnaval.

O sábado de carnaval foi debaixo das cobertas, sem nenhum gringo, como era esperado. Mas a maldita esperança, – aquela filha da mãe que nunca morre! – não permitiu que ficassem por muito tempo em casa. Depois de arrumadas  e lindíssimas para saírem, ouviu-se as primeiras gotas no telhado… Não era mais uma surpresa, desta vez se prepararam. Munidas cada uma com seu guarda-chuva, as Unidas do Guarda-Chuva estavam prontas para por o bloco na rua.

Debaixo de chuva mesmo, mas apertadas sob um único guarda-chuva (o outro teimava em não abrir), saíram à procura de um boteco qualquer que passasse cartão de crédito em troca de comida barata.

Se parecia impossível o final de semana ficar pior do que um carnaval sob milímetros de água constatou-se que poderia sim, e ficara. Depois da procura pelo boteco não ser bem sucedida, uma conta gorda demais declarava: acabou o dinheiro para o restante do feriadão.

Seria trágico, se não fosse crônico. Na constatação de que o carnaval não iria render muita coisa foi decidido, ao menos uma crônica deveria ser feita.

– Uma não, duas.

– Fechado.

Faltam ainda  três dias para quarta-feira de cinzas e a esperança morreu afogada. O que vier é lucro.

Uma música motivadora para os próximos dias!

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