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Chegou fevereiro, haviam compromissos a serem cumpridos, papéis com anotações do que fazer, diálogos com informações de como processos são feitos, mas por incompetência alheia nada pode ser feito, e fevereiro passou. Chegou março, emails chegaram junto, trazendo as informações esperadas em fevereiro, pedindo tudo em cima da hora. Prazos antes estabelecidos com uma boa folga de tempo agora estavam em cima do laço. As incertezas do quando eram constantes, mas ia sendo mantido apagado da memória, tentando não vir à tona a todo instante. Cálculos e mais cálculos, discussões a respeito, emails navegando na internet para “n” destinatários. Tudo foi sendo resolvido, o prazo já havia expirado há quase uma semana e nem do local de partida ainda havia saído. De repente $$. “É amanhã!”. As ideias cessam, o que pensar? Como agir? É amanhã droga!


Happy Hour de recepção foi usado como despedida, o sufocante sentimento queria gritar, mas como fazer isso sem causar preocupações desnecessárias, sem causar uma tristeza momentânea em quem está feliz por estar alcançando o que espera há meses? A felicidade está presente, pelo outro, pela sua satisfação, pela conquista, pela sua espera de chegar, ver de perto aquilo que tanto discute, que tanto busca.

Chegou o momento do aeroporto, problemas acumulados na imprevisibilidade dos prazos apareceram, soluções cabíveis mas não esperadas foram tomadas e seguiu-se então para a espera da partida. Olhos constantes no monitor: checkin… despacho de bagagem… essa droga desse relógio continua passando. O tempo não para! Queria eu que Cazuza estivesse errado. Silêncio; a dor da partida; ameaça a gata caso não mande mensagem todos os dias; o beijo e abraço de despedida; partiu! O caminho de volta é demorado, mas chegou ao fim. A cama vazia não era convidativa, mas enrolar-se na coberta felpuda trazia uma sensação de paz momentânea, o sono de uma noite mal dormida chegou.

A mudança ocorrida um dia antes deixou tudo revirado. A vontade de arrumar não existia, mas havia a possibilidade de manter a mente ocupada e esquecida por um momento. Tocou Zélia Duncan, “Telhados de Paris” que sempre emocionou não fez diferente dessa vez. Descobri a camiseta usada no HH da noite anterior, com o perfume esquecido sobre a cômoda, perfume esse que vai precisar ser reposto na volta, pois até lá vai estar vazio por continuar mantendo o cheiro que vai se apagando da camiseta. O sono não chegou fácil, os travesseiros excedentes não serviam pra fingir o corpo que foi embora. Depois do trabalho no dia seguinte chegar em casa e ver a gata miando; procurando; indo em todos os cômodos; dizer que você não vem; que vai demorar; que ela nem vai mais lembrar de você quando voltar e ficar triste. Por ela? Com ela? Agora somos só nós, e ela vai ter que aprender a gostar do outro que tomou um lugar na casa, tomou dela a atenção, mas que ama ela, mesmo não parecendo muito.O segundo dia passou. Novamente o sono não veio. O tormento por saber se está tudo bem, se o voo ocorreu conforme previsto. O rastreio do voo: estava atrasado mas estava tudo bem! Só 2 dias de um total de 133. O caminho é longo, difícil, seria tão mais fácil se pudessem haver discussões diárias. Mas nesse tempo vão ter outras distrações, nem que sejam forçadas, mas haverão. O calendário está sendo riscado, neste momento é tão bom saber que o tempo realmente não para!

❤️

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