A geração de nerds humanistas

Seus pais os criaram da melhor maneira possível. Estudaram nas melhores escolas e sua formação humana propiciou toda aquela preocupação em fazer um mundo melhor. Nunca faltou amor nem toda gama de sentimentos que desse suporte e orientação em cada passo de suas vidas.

Conheci umas três ou quatro pessoas assim e elas são extremamente admiráveis. Amam sua família (não poderia ser de outra forma) e se relacionam facilmente com qualquer pessoa que encontram na rua, por isso suas centenas de amigos. Enxergam em todos eles mais que um par de olhos, pernas ou braços, vêem humanos e suas construções. Respeitam e querem saber mais de tudo que os forma.

Por  isso, na minha mania de linguajar tudo, nomeei estas meninas e meninos de nerds humanistas. Aprendem tudo muito fácil e muito bem, não enxergam apenas números e funcionalismos, são realmente preocupados com o mundo e as pessoas que nele habitam.

Mas aqui vai a coisa engraçada sobre este tipo de pessoa: poderiam ser excelentes cirurgiões, notáveis juízas, tem competência para comandar qualquer empresa. Poderiam ser extremamente endinheirados, ter o poder em suas mãos mas, ao contrário do que é ditado, resolveram ser felizes.

São músicos, professoras, artistas – um ou outro até resolve viver das coisas que a natureza dá para gente e vai vender miçanga na praia! Alguns podem até ser médicas, juízes ou empresários, mas fazem isso pela felicidade ou por acreditarem que aquelas atividades podem, de alguma maneira, exercer o bem para o outro e não pelo dinheiro ou sucesso.

Primeiro seus pais ficam loucos. Como assim, ele resolveu virar dançarino?! Como ensinaram o amor,  ficam felizes – depois de certa resistência – mas ficam feliz com a decisão dos filhos após perceberem que eles amam a difamada atividade. Não dará muito dinheiro, mas será o suficiente para sobreviver – um trocado para dar garantia. O melhor: dará para viver feliz, e não é isso o que importa? Porque o que eles querem é viver e não apenas existir, esperando um fim de semana, o próximo feriado prolongado ou o fim do expediente para realmente fazerem o que gostam, ou pior: só para não fazerem o que não gostam.

Os nerds humanistas não querem acumular muita coisa materialmente, apenas querem viver com amor. Mas cuidado: eles conseguem cativar até os mais duros corações. Corações eles acumulam aos montes.

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