A GRANDE IDEIA

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As pessoas acham que para mudar o mundo e torná-lo melhor para todos, é necessário grandes atos, e que para isso você tem de ter poder, ou seja, ser um político, um Juiz; um chefe de estado, ou organização mundial e ter muito dinheiro… Alguns acham inclusive que o único jeito é ser um super-herói. O Batman conjuga as duas ultimas coisas!!!!! (Mas me questiono como uma pessoa multimilionária, que ganha seu dinheiro da exploração de trabalhadores e bate em bandidos, comprovadamente oriundos da falta de emprego e das relações sociais envoltas nele…pode ser um herói???) O problema disso tudo, é que a mudança sempre está no outro, nunca na gente, é sempre responsabilidade de alguém que tenha se comprometido com a coletividade e que até admiramos por isso.

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Diário de uma Caloura

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Enfim entrei. Depois de um ano de espera, pensando que diabos vou fazer da minha vida, gritei: “MANHÊ PASSEI!! SOU CALOURA!!!!”

E fui, relativamente atrasada (mais ou menos três semanas de aula já haviam se passado), mas o sentimento foi o mesmo. Tentei até disfarçar aquela cara de caloura, que sorri feliz seja na fila da xerox ou na fila do restaurante universitário, mas não deu pra segurar.

A partir daí foi só encanto: o prédio lindo da Letras, que é carregado de diversidade; pessoas de todos os tipos concentradas em um só lugar, uma verdadeira pluralidade de pensamentos e ideias.

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O campus é enorme e cheio de macacos. Sim, Macacos! E melhor ainda, macacos ladrões, obcecados por comida, cercando alunos por todos os lados, me fazendo amar animaizinhos que todo mundo odeia.

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O fato de meu namorado estudar no prédio do lado foi um fator determinante pra eu não ser uma caloura tão perdida, e me abriu portas pra conhecer pessoas de outros cursos, com diferentes dinâmicas e ideais. Sem falar naquele romance universitário que te leva às nuvens.

Mas o melhor de tudo foi a liberdade adquirida. A liberdade de poder pensar por mim mesma. A liberdade de poder escolher aquilo que eu quero estudar e deixar minha criatividade rolar. A maturidade conquistada, ou pelo menos o pensamento de tê-la.

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Espero poder manter minha cabeça tão aberta e otimista nesse primeiro ano de faculdade. Sei que nem tudo são só flores, mas enquanto são pretendo aproveitar o máximo possível desse momento. Afinal, logo não serei mais caloura.

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#Toc Queridas de 71

Luiza, por que você escolheu fazer uma lista com as músicas queridas do ano de 1971?

 Não foi pelo EP’s lançados pelo Novos Baianos, também não foi pelo Jardim Elétrico dos Mutantes, nem pela Construção do Chico ou Não quero dinheiro do Tim e nem Gilberto Gil do Gil. Não foi por causa do lançamento de Gal, Fa-tal, também não foi pela produção do incrível Transa, do Caetano. Então foi por causa do Led Zeppelin? Black Sabbath? The Doors? Pink Floyd? Janis? Rolling Stones? Óh céus, não!

Foi só uma escolha aleatória de ano que me deixou com o coração na mão por escolher apenas UMA música querida deste ano, que deu um gostinho do que estava por vir nos 70. A música dessa década, que teve concepção lá em Woodstock,  nasceu ultrapassando o inteligível, mexendo com os sentidos, com o proibido, com o desconhecido, e aí, véi… é se jogar!

 Deguste. Com os ouvidos, com o coração, com as entranhas.

Se liga na escolha de cada um:

Dê um rolê – Luiza

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos – Fernando

Imagine – Natália

The Battle of evermore – Manuela

Asa Branca – Jair Paulo

(O André é mais vanguardista e prefere músicas mais atuais – na verdade ele está incrivelmente ocupado com os projetos lá no Timor Leste)

Terceirização (ou Sonhando em sair)

Quando trabalhei em uma loja de departamentos estava em uma função que era quase uma “casta” superior, algo tipo os Gamas, éramos ~Os Caixas~ (isso tudo porque recebíamos uma mixaria a mais, quebra de caixa, isso se não errássemos – ou fossemos roubados). Seguindo nesta lógica de pensamento, e chegando onde quero chegar, na casta inferior estavam os Deltas – o vendedores – e por fim os Ípsilons: os trabalhadores terceirizados.

O cansaço nos olhos

Os terceirizados eram responsáveis pela limpeza da loja, faziam uma atividade-meio, ou seja a loja vendia roupas, logo podia contratar pessoas que limpassem o local, que servisse o buffet etcetc. A razão de eu fazer uma analogia deste pessoal com os Ípsilons de Aldous Huxley, é que eles se quer eram considerados como trabalhadores daquele lugar e não importava que todos os dias a gente se via, conversava ou almoçava juntos:  eles estavam em uma posição estática, isolada. Não sairiam dali nunca a não ser que deixassem o emprego. E era o que acontecia. Por ser da limpeza, a maioria dos terceirizados eram mulheres e elas não aguentavam mais do 3 meses. Entravam no emprego sonhando em sair.

Minha memória não permite afirmar com certeza, mas acredito que ela faziam horários maiores do que os nossos. Não podiam participar das ações promovidas pela loja – aniversário, natal, etc – a única coisa que estavam autorizadas era chegar, limpar, ter um intervalo e sair. Talvez só quem já trabalhou para ver tamanha tristeza, tamanho cansaço, falta de fé na vida. Para mim este é o pior da terceirização. Enquanto a maioria discute impostos, produtividade, concursos públicos o que mais me perturba é a tristeza de mulheres que só existem, cansadas. Fazem o necessário para sobreviver, sonhando com a vida.

Desestruturando o serviço público

Em Santa Catarina estão fazendo coisa semelhante mas de maneira mais discreta, a greve dos professores do estado é muito pouco falada e, ao invés do sindicato despender energia para lutar pelos direitos, estão, pelo contrário, tendo que convencer seus colegas a perder o medo e entrarem de greve também. As ameaças e o medo rondam os chamados ACT’s (Admitido em Caráter Temporário), eles não participam do plano de carreira, não podem entrar em greve, logo não tem razão para se unir aos outros trabalhadores. E assim a educação pública é precarizada: a partir de sua estrutura interna.

As Organizações Sociais de Saúde (OSS) éoutro delicioso exemplo de como a terceirização só piora relações de trabalho. Com o discurso de ‘melhorar a saúde pública’ governos entregam a administração de unidades de saúde para estas benditas organizações “especializadas” em atendimento na saúde. Aqui vai a coisa engraçada: antes deste sistema não havia dinheiro para comprar papel higiênico e agora milhares, milhões, de reais são pagos para estas empresas. Legal, então o trabalhador recebe direitinho né? Não, os funcionários recebem atrasado, as empresas alegam que não tiveram repasse de verba e o que eles podem fazer? Entrar de greve e ser demitido no dia seguinte? Uma amiga trabalhou 4 meses sem receber e não podia fazer nada. Desesperador.

O resultado de terceirizações e contratos temporários é o enfraquecimento de quem trabalha, seja pela exaustão física, seja pela união dos trabalhadores. Enquanto isso nas castas superiores a riqueza se acumula cada vez mais na mão de cada vez menos pessoas. Por mérito? Acho que não, hein queridinha.


BÔNUS: Veja os casos que o Repórter Brasil reuniu mostrando como a terceirização facilitou situações análogas ao escravo.


Só a nível de curiosidade: os Betas seriam pessoas com falsos poderes, tipo supervisores, treinadores, gerentes e os Alfa nós se quer víamos, eram diretores, acionistas, enfim, aquela gente superior que não se mistura com a inferior. Veriam a tristeza no olhar e provavelmente não saberiam lidar com isso.