Só mais um Zé?

José Ribamar e a esposa estavam frequentando, por uns dez dias, aulas do ensino básico para fazer a Prova de Reclassificação, uma espécie de nivelamento que define qual série o estudante deve retomar ao voltar estudar, na escola eram simples e bem humorados. No dia da prova sua esposa foi à escola avisar que eles não fariam a prova porque José havia sofrido um ataque, foi encontrado ferido dentro do porta mala de um carro. Os jornais de Goiânia noticiaram que José era um morador de rua, não deram detalhes do que, ou como, aconteceu com ele. José virou um número, sujeito desumanizado, é essa objetividade que o jornalismo quer?

Quem é (ou era? não sabemos se ele morreu) José? Era um morador de rua? Era um cara que queria estudar? Era um bandido querendo se infiltrar na escola? A dúvida até hoje paira o Boné, quem é José? Só mais um Zé?

Apesar da música do Biquini Cavadão encaixar melhor nesta situação, escolhi esse Zé, do Chá de Gim, para ser trilha sonora dessa reflexão que nossa Goiânia desumana nos desperta. “É o Brasil caminhando para ser sepultado” 

[canhotice publicada originalmente no Facebook e copiada para cá para fins documentais]

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