O Joe da Ilha

mais uma atualização para o diário de bordo na praça XV. no banco em frente 4 senhorzinhos conversavam e já estava pronta para ser abordada por qualquer um deles: é impossível estar na praça XV e não aparecer alguém querendo te vender chaveiro, um curso-técnico, uma moedinha, moça?
eis que toma frente o Paulo, um desses anjos que a vida põe na nossa vida para lembrarmos que, apesar de tudo, ainda resta esperança para humanidade mesmo que viva na rua, alguns dias sem banho e bebendo ‘uma água mineral especial que estou tomando há alguns dias’. Paulo não pediu moeda, aguardou pacientemente eu terminar uma frase do dia 4 de maio e começou a me perguntar sobre poesia. Dali partimos para a ditadura no Rio, exílio em Londres e uma dança com haitianos, tudo iniciado por Bukowski que ‘como assim você não conhece, menina?’
ele não é de todo perfeito: gosta da Veja, da Isto É e acha que jornalista não precisa de formação. eu ponderei o bastante antes de me posicionar contra, fazer o que? às vezes os anjos não têm bom gosto! Ah, ele tem 62 anos e é jornalista, por isso acha que jornalista se forma na prática, na investigação, o que levou à sua prisão após se formar, aos 23 anos, e em seguida foi pego pelo DOI-CODI. ufa!
Paulo falava e eu não conseguia tirar os olhos da sua barba branca amarelada, da sua pele que de tão queimada tinha cor parecida com a minha. Uma temporada em Parintins, uma viagem à São Paulo, meu trabalho no Rio, a fuga para Londres. que barba interessante, ela é rajada. ele podia tirar esse chapeuzinho para eu ver melhor seus olhos verdes, ou seriam amarelos? foi coisa de menos de 20 minutos de papo, agorinha, vim correndo escrever, no Facebook mesmo, porque contei para ele que era com isso que trabalhava e ele me olhou com um jeito de ‘por que trocar jornalismo por Facebook?’, como se eu soubesse. Aparece aí, tamo sempre ai cá turma. podexá!

do jornalismo googlevestigativo: descobri que Paulo tem 65 anos, também tem 63 anos, que ele ficou muito feio sem barba quando foi acolhido pelo CMAS (e quando publicou seu próprio livro), que muita, muita gente é fã dele, gravam vídeos, conversam e entrevistam o Paulo Poeta. escolhi um para me lembrar todos os dias:
Você tem que guardar um espacinho desse tamaninho para olhar qualquer pessoa no olhos e dizer ~vai à merda~ Isso é liberdade.

< sem comparações com Joseph Mitchell, só os personagens me pareceram parecidos, falta muito literatura pra essa canhotanavida>

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s