sobre o casamento igualitário nos EUA

como é bom ver tantos tons na minha timeline! De gente hétero, de gente homo, de gente . Tenho mesmo muita sorte de ter amigos que são a favor dos direitos humanos, de todos eles: de gays, de negros, de pobres, de morador do Itatiaia ( ♥). Não é com essa invasão multicolor que me chateio, o que me deixa realmente triste é saber que tem gente apanhando até a morte por ser quem é, tem gente que precisa vender o corpo para poder se sustentar porque o mercado de trabalho não aceita o modo como se identifica, tem gente que prefere morrer do que viver nesse mundo que não é tão colorido quanto nossas redes sociais nos promete.
Fiquei feliz com o casamento igualitário nos EUA, no Brasil, na Irlanda (assim como ficarei a cada notícia dessa vindo de mais países – e só descanso quando o Vaticano entrar na onda!). É um grande passo, especialmente pelo destaque dado ao país do presidente-showman. Mas enquanto a igualdade estiver na cabeça de apenas alguns grupos, sendo proibida de ser discutida durante a formação de uma criança na escola, enquanto o legislativo for o principal representante de um conservadorismo assassino e contra os humanos, enquanto meninos continuarem sendo assassinados com pedradas na cabeça ou bissexuais serem executadas indo à parada gay, ainda ficarei com um pé (44) atrás antes de comemorar. Posso querer ainda mais conquistas, sim?

A vida humana!

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O que seria a vida se não um amontoado de escolhas aleatórias, de coisas mais ou menos planejadas e objetivadas e de almas mais ou menos perturbadas lutando para que suas vivências tenham algum sentido por si e para os outros em um jogo de sorte.
Nesse turbilhão de ilusões, perdas, sucessos inócuo de individualismos materiais oriundos de um extravagante amor próprio é bom sentir o coração e saber que de fato ele bate. Não o meu coração mas o coração que bate independente de nós, o coração da mãe, da família dos amigos verdadeiros e escassos, que cultivados a partir de uma pequena e frágil sementinha, podem se tornar grandes árvores fortes robustas capazes de arranhar o céu.
Acho que a felicidade é isso, arranhar o céu!! Alcançar o inalcançável, superar os grandes muros da distância e da alma que sozinha não é fértil suficiente para erguer-se em direção ao oceano sublimado. É por isso que hoje, somente por mais um dia, consegui arranhar o céu!
É no seio da alteridade que se funda o amor e este encontrou seu lugar organicamente intrincado na complexidade do corpo e da alma que busca com o desespero dos náufragos pela vida, arranhar a superfície, o céu, o fôlego e a vida.
Que a sorte seja lançada!

Cores e seus significados em outras culturas

Seja na cultura ocidental ou em outras culturas, as cores desempenham um papel fundamental na construção sócio-cultural das pessoas. A simbologia das cores está sempre presente em nossas vidas, já parou para pensar?

Na publicidade, na moda, na decoração de ambientes;  de fato as cores tem uma influencia psicológica sobre nós – claro que de acordo com cada cultura, esta influencia se modifica – mas o poder dela em nos transmitir determinadas sensações se mostra claramente, quando nos sentimos mais agitados em um ambiente com cores quentes, e mais tranquilos em um ambiente com cores frias. Continuar lendo

Camelo Peixoto

Busquei o chão mas lá não estava, em vão tentei encontrar a água, desesperada busquei as correntes mas só encontrei barbatanas, histérico procurei as guelras, porém me deparei com aros e pedais, e atônito afundei o guidom entre as nadadeiras. Nos primeiros dias essa nova forma de existência designada a mim era perturbadora, afinal nunca fui um peixe e menos ainda uma bicicleta, apesar de estranhamente ter o instinto de ambos. Para um singelo pensamento, cresci e me materializei rápido, por um lado isso é até interessante, mas por outro é complexo. Ser constantemente bombardeado por tantas interpretações e significações, desnorteia meus próprios conceitos, tornando-os muito aquém da minha existência  e muito além da minha consciência.

Em anos de deriva cognitiva, e fluxos mentais intensos – meus e nossos – nunca considerei evidenciar minha existência, afinal  um objeto que surge de repente revelando seu drama existencial certamente causaria um rebuliço no mundo não só das artes, e a se a minha vida já é bastante questionável, imagina para os humanos que apreciam a arte de complicar as coisas. Contudo, redijo este ensaio na esperança que eu entenda melhor, porque eu busco entender a mim mesmo.

De qualquer forma, sou Camelo Peixoto ou meramente “Sem Título” assim como O artista, me intitulou, devo à ele gratidão de ter concebido o pensamento que ascendeu minha existência. Não tardou a me tornar algo à parte dele, tal como dizem “A obra se torna maior do que o autor” e certamente sou mesmo, não é por falta de modéstia, mas pela quantidade – e as vezes qualidade – de atribuições relacionadas a mim. Gosto de algumas, por exemplo teve uma vez que um curador alemão me descreveu como “a subversão do capitalismo na pós-contemporaneidade”,  mesmo que eu não tenha entendido muito bem o que era isso, essa interpretação se consolidou, e muitas pessoas me usam como ícone de contra cultura.  Outrora porém, me condenam uma poética chula e ordinária, presa aos hábitos estéticos disto ou daquilo.

Pessoas e significados vem e vão, minha aparente inexistência de nexo visual e conceitual alimenta meu crescimento, hoje em dia já não entro mais no museu, me estirei pelas ruas,  sou motivo de discussões acaloradas em mesas redondas, sou  ignorado por uns, e fundamental para outros, os livros de história da arte me pontuam como um grande marco da arte pós-pós.

 Se não fosse por tantos retalhos de significados, certamente minha consciência não teria autonomia suficiente para refletir sobre isso, pois no fim das contas como todos os outros, que buscam um sentido para a existência e a expansão da consciência, fluo como um grande cardume de significados que me constituem, em movimentos cíclicos que me impulsionam para uma autonomia individual.