Cantos de Goiás: 13 músicas para aflorar seu lado goiano

Morar em Goiás é uma experiência singular: nós não temos mar, mas o céu é bonito para velejar. O sol daqui é de fazer o sonho ferventar. Goiânia, ~reconhecida~ por ser a cidade que mais exporta sertanejo-industrializado, na verdade tem toda variedade de som: desde o rap que visibiliza as dificuldades de morar numa capital, até o som pesado que ecoam nos festivais de rock. Sempre marcado, é claro, pelas cordas de violas e violões, da música caipira e popular goiana. Independente da vertente musical a certeza é que ser goiano tá no sotaque, na pele queimada do sol, no coração e na música!

O Cantos de Goiás na infindável curiosidade de descobrir a música goiana se une com o #Toc para mostrar o que Goiás tem de bom. Iniciando de leve, vamos aflorar nosso lado goiano, e temos percebido: não precisa nascer em Goiás para se deixar atravessar por sua música 😉 Para começar um versim de Cora. Bora lá?

Meti o peito em Goiás e canto como ninguém. Canto as pedras, canto as águas, as lavadeiras, também.

Continuar lendo

Anúncios

A Esperança

angeli-reduc3a7c3a3o-da-maioridade-penalPensando na humanidade… uma reflexão deste Zé ninguém que vos fala:

O POETA CHORA!!! chora pelas lágrimas dos que ainda não tem consciência de sua fatalidade

Carne, Sonho e Vida,

Esta ou aquela? Não importa sempre haverão preciosos números em vão,

…Pois a …Carne e os sonhos diferentemente velados sempre estão

…Por quem? Pelas mães, pelos filhos ou pelo genocídio do apoio político?

…Vivemos reclusos em um  crítico Estado,  ou  em estado crítico? 

 …É triste a realidade perdida de jovens e velhos  sem brilho no olhar, sem futuro pra almejar..

…cavam, cavam em seus peitos…  almejam ao liquido rarefeito..

E de repente um sorriso….

  acompanhado de um grito agudo e abafado, na surdez do cotidiano, violento e apassivado,

“ É ESPERANÇA!!!!…”

Titri

Faz frio, estou no Ti.. Ti… Como é mesmo o nome?  Titri. Que palavra estranha à boca. Parece agosto. 9 de agosto. 9 graus de agosto. Avanço um ano. Estamos em julho. 9 graus de julho. Felizes. Como pinto no lixo. Vivendo de beijo na boca. Abrigo bege e cafona. Abrigando uma pessoa bege e cafona, e ainda assim feliz. Como um pinto no ônibus.

E no inverno o calor parecia que nunca ia acabar. No verão a temporada de chuva durou mais tempo que a superfície árida estava acostumada a suportar.

O ônibus chegou. Vou embarcar.

image

boa noite, freiras ou um texto sob(re) (des)cobertas.

Faz pouco mais de um ano que passei minha primeira noite no Convento. Lembro muito bem: ansiosa com a mudança esperada desde a partida, chorei de exaustão (e daquela incompreensão). Depois de uns meses percebi que chorar em algum momento após a chegada no convento era normal. Foi com um choro desconhecido que descobri a grossura (ou seria finura?) de nossas paredes. Pensei “Temos uma nova freira”.
Fiquei com vergonha por estar invadindo um momento tão triste, mas tão necessário, nessa passagem lar-convento que as freiras passam cedo ou tarde, por um motivo ou por outro, nesse convento ou em qualquer outra casa nova por aí. Ao ouvir esse choro perdido, o pior talvez foi lembrar do meu. E em algum lugar alguma freira deve ter ouvido e pensado “Temos uma nova freira”.
Óbvio que de santas não temos nada. O nome veio na brincadeira canhota, na contra mão das regras (tão necessárias) que nos guiam em nossa república. Uma puta duma república:

-Moro numa rep com mais 4 meninas e você?
-Moro com mais 26 😀 [diálogo baseado em fatos reais].
Dava até orgulho, por mais que eu não visse mais do que 5 freiras por dia (e algumas eu até hoje não sei quem são – mas dou bom dia se cruzo no corredor!). E dar bom dia foi uma das grandes descobertas que eu fiz aqui:
Descobri que não é tão difícil dar um bom dia. Descobri que posso sobreviver a um bom dia dado sem resposta. Descobri que viver com um monte de mulher não dá tanta briga quanto se espera e no fim tudo acaba em bolo. Constatei que engordei muitos quilos com tanta comida e festa e batatas e cervejas. E me descobri festeira. Me descobri feminista. Me descobri mãe dizendo “tomem cuidado” e só conseguindo dormir depois de ouvi-las chegando em casa. Tive a plena certeza que falo alto, sou bagunceira e não sei cozinhar bem, mas as freiras me fizeram perceber que posso aprender a falar baixo, arrumar minha escrivaninha e até aprender a fazer um escondidinho de abóbora delicioso! Aprender e me descobrir: esse foi o grande milagre das freiras. Aleluia.
Enquanto divago alguém digita num quarto próximo. Um celular vibra. Uma risadinha. Uma tossida. Alguém ronca de outro lado, lembrando que é hora de dormir. Minha primeira noite foi de lágrimas. A última será de agradecimento.

Boa noite, freiras.

Ps1: eu era do quarto 17, o das bromélias. Prefiro lírios.
Ps2: juro que, agora que posso falar alto, terminarei nosso doc.
Ps3: queria levar cada uma pro Ninho, as que converso muito, as que eu quase não vejo, as chatas e as legais, as que moram no convento e as que já moram em outros ninhos e deixaram saudade. Não tem como, o ninho é pequeno, mas as levo em meu coração ♥