Em seu devido lugar

O engraçado -trágico, diria – é que o segurança que me vigia no supermercado também é preto.
Não é a primeira, e também não será a última, vez que tenho que engolir meu orgulhinho e fingir que não vejo. Seguir e fingir que meu poder de compra se equivale ao da pessoa branca que também circula por ali.
Lembro que quando trabalhava no shopping onde este mercado se localiza ninguém me olhava torto. Meu uniforme me colocava no meu lugar. Assim como o uniforme de segurança permite ele circular pelo shopping, em seu devido lugar: servindo.
Enquanto caminho para casa mudo novamente a perspectiva: se eu o visse, negro, na rua a noite, não mudaria minha postura carregada de preconceitos?
Como disse o Bira, amigo-inteligente-do-meu-pai: “Infelizmente a semente plantada está germinando e sendo regada todos os dias.”
Enfim,  posso querer mais conquistas (e aqui isso quer dizer apenas entrar em estabelecimentos sem ser vigiada devido minha aparência), sim?

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