O dia em que eu deitei no balcão do tráfico num cartão postal de Florianópolis

Se houvesse um Mc Donalds na praia eu estaria deitada entre os atendentes e a máquina de suco. Era bem o lugar onde deitamos na praia dos ingleses: entre a(s) mercadoria(s) ilegal(is) e dois guarda-sóis que abrigavam cinco amigos. Só que não.
Depois de conseguir sentar nas cangas é que percebi que eles não eram só homens estranhos (afinal todos eles são), e não eram apenas caras barra pesada que estavam encarando um lindo casal de meninas. Eram comerciantes de droga olhando incrédulos para duas idiotas que sentaram ao lado da mercadoria ilegal que eles estavam vendendo, seja lá o que aquilo fosse e não consegui identificar.
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Estávamos literalmente entre o vendedor e as mercadorias

Não descobrimos o que era, mas o negócio fazia sucesso. A clientela era variada e fidelizada. Pareciam habitués.
Uma delas me encarou, era uma senhora do alto dos seus mais de 40 anos . No seu rosto um misto de desconcerto e ousadia porque ainda sustentava um olhar altivo. Me encarou e guardou não sabe se lá um o que na pochete e foi andando como quem apenas foi caminhar na areia.
praia dos ingleses

O escritório deles é na praia e a gente estava melando o negócio

 

Era uma quarta-feira de sol e muito vento e, pelo menos eu, me sentia privilegiada de estar na praia por volta das 15h, em Florianópolis. Confesso que tive um lapso de inveja dos trabalhadores mais informais que eu, cantarolei baixinho: Meu escritório é na praia.

As figurantes metralhadas

Apesar de ninguém mexer conosco, eu estava com medo por causa de todas as mortes que tem acontecido em Florianópolis ligadas ao tráfico (até dia 13 de dezembro foram 164 mortes violentas registradas, quase o dobro de 2016), entre disputas por território e dívidas. Então, com aquele comércio lucrativo mostrando que certas mercadorias não precisam de marketing, eu esperava a qualquer momento que uma facção rival ou um inadimplente surgisse e começasse uma troca de tiros, bem Tarantino.
E nessa cena nós seríamos aquelas figurantes que só servem para fazer volume (e ainda ser relacionadas ao tráfico de drogas no noticiário medíocre local). A gente só queria deitar num lugar maneiro com uma sombra.

Análises socioeconômicas num dia de praia

E como tudo é questão de prioridade, preferimos arriscar o pescoço por uma sombra. O rolê que era para ser uma tarde de praia virou uma análise da estrutura do comércio ilegal de qualquer coisa. Certo, o escritório deles é na praia, mas a e a aposentadoria desses vendedores? Como fica o desmonte trabalhista para eles?
Em tempos neoliberais acredito que podem ser adeptos da aposentadoria privada, afinal os bancos precisam sempre aumentar o número de clientes e este é um público que só tende a crescer. Sem citar a forcinha dos advogados para aquele corre com a papelada, isso rende honorários. 😎
Seja lá o que vendiam, o negócio não parecia que estava acontecendo no mesmo país que apresenta 39,5% de inadimplência. Dava um case de sucesso!
No fim, não descobrimos o que estava sendo vendido, mas estou satisfeita só de sair de lá viva. Quando vier à Florianópolis seja mais esperto e dê uma olhadinha onde escolhe ficar, você pode estar tomando sol ao lado (ou dentro) de uma franquia de entorpecentes.
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11 coisas que aprendi criando plantinhas

Ganhei um manjericão e um tomilho do André, o “jardim” que ele tinha na outra casa me dava orgulho e a ideia de poder criar comida em potes de terra mexia comigo (!).

A verdade é que não comecei muito bem, o manjericão tava sempre amarelado, meio capenga, e o tomilho que exibia lindas tranças parecia mais uma avenca do que tomilho mesmo, porque no dia que o transplantei fiz isso de modo muito desajeitado e deixei as raízes na diagonal e não na vertical (a planta está completamente torta no vaso).

Mas aí um belo dia (era belo mesmo, solzão e ventão) a Mar resolveu plantar as raízes das cebolinhas. Nem a gente acreditava que daria tão certo. Em duas semanas, lá estavam elas: lindas. cebolosas. verdinhas. A partir daí, entrei numa nova fase da relação com as plantinhas!

E eis o que aprendi com elas:

  1. Virei uma pessoa que remexe no lixo orgânico ou reciclável fala “Não podemos jogar esta preciosidade fora!”

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2. Entendi porque minha mãe fala com as plantinhas

3. Entendi porque minha vó fica toda exibida querendo mostrar as plantas dela

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Vivo publicando no stories

4.Descobri que algumas plantas bebem água por baixo (“regando” o pratinho)

5.Fiquei sabendo que existia grupos de plantas e hortas no Facebook

6. Nesses grupos basicamente existem dois tipos de publicações: 1) Alguém mostrando como a plantas delas tá bonita/feia e 2) As pessoas perguntando que planta é aquela que tá crescendo na horta delas!

queplantaeessa

7. Aprendi que as plantas tem um tempo diferente do nosso (e isso me ajudou com a ansiedade)

8. Depois passei a reparar que as plantas também têm tempos diferentes entre si

9. Passei a gostar de crianças porque se elas estão com problemas elas choram e avisam o que tá acontecendo de errado (dia desses eu perguntei pro manjericão o que estava fazendo de errado com ele)

10. Aquela frase de mãe “Eles crescem rápido” passou a fazer sentido

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Coentros crescendo rápido demais

11. Não parece ser muito importante a posição que você deixa a terra no tomilho. (acho que não vale para outras plantas) 

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O importante é que ele é delicioso!

155 de golpembro de 2016 (o ano que não acabou)

Sabe o que não entendo? Continuam cobrando, e aumentando, impostos e porque os governos estaduais em austeridade por que? Empregado ou desempregado, quem respira nesse país tem que pagar imposto.

Agora a festa é de quem tem o poder da canetada, ser funcionário público já foi sinônimo de um emprego importante, hoje eles estão comendo o pão que o Michel amassou.

O Celso Ramos tá em colapso. Já passei 5 horas na fila do HU para ser atendida na emergência. Em Goiás os professores não sabem quando, nem quanto vão receber, a segurança pública nem precisa falar né? Se fosse possível terceirizar juízes e vereadores/deputados será que a saúde, a educação e a segurança pública estariam pagando o pato que pagam hoje?

Sério, não entendo mesmo, algum economista?

[das conversas tristes e cheias de indignação que eu e minha mãe temos eventualmente]

Um blog não é um blog se…

Então é Natal e o que você fez? Abandonei meu blog!

Bom, o que é mais comum que uma jornalista com um blog?  Claro que é um blog abandonado!

Mas é hora de fazer um post para dar aquela reativada – e parar de receber notificações do WordPress dizendo que já faz não sei quantos meses que não publico algo novo. Como se fosse preciso uma máquina me lembrar que sou procrastinadora!

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Como tudo na vida tem um motivo, tá tudo conectado, com fatores anteriores e posteriores, acho que vale a pena elencar as principais razões de ficar tanto tempo sem publicar no Jabuticário.

Top 3 Desesperos de 2016

Se puder existir justificativas para deixar esse projeto lindo em stand-by então eu tenho algumas. Podem não convencer muita gente, mas para deixar minha consciência tranquila vou resumir com muito amor no Top 3 de desesperos de 2016:

♥ Inicialmente sumi porque comecei a estudar para a prova de mestrado e acho que valeu a pena porque…

♥ Passei na prova – agora sou uma mestranda! – e isso meio que reduz o tempo para escrever aleatoriedades

♥ O golpe que estamos vivendo no Brasil me deixou realmente muito muito muito triste, então ultimamente não tenho escrito nada, nem mesmo para o mestrado, rs. Por sinal a única coisa que me faz escrever é o Diarinho do Golpe, onde estou registrando todos os retrocessos que estamos passando oficialmente desde 31 de agosto de 2016.

2016 nem foi tão ruim assim – mas só para mim

Ok, numa perspectiva pessoal 2016 foi até um ano bacana:

Elias, o sobrinho, nasceu. Consegui romper com o paradigma que nunca mais namoraria na vida. Comecei a decorar minha casa (e fiquei realmente orgulhosa e feliz de pintar caixas e fazer meu quadro negro). No mestrado até estou enturmando com o pessoal – coisa que nunca fiz desde a Pré-Escola.

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Podemos estar na merda, mas continuamos dançando!

2016 foi péssimo

Mas como o mundo vai muito além das minhas conquistas interpessoais, dá para afirmar com toda a certeza que esse foi um ano péssimo. Longe de querer fazer uma retrospectiva, (mesmo porquê não quero chorar em cima do teclado) é só pensar na política nacional para ver que nada anda bem.

A falta de diálogo entre população e políticos agora é uma realidade entre as pessoas, o mundo parece que dividiu entre preto ou branco, A ou Z, gay ou hétero, etc. e esqueceram que existe uma infinidade de possibilidades no meio do caminho. E neste contexto é difícil conversar, difícil ler, difícil escrever.

Então, apesar de agora estar na pós-graduação, tenho a impressão de que é o ano que menos li e escrevi, por isso o blog está abandonado. A fanpage do Cantos de Goiás também não é tão movimentada quanto antes. Meus trabalhos acadêmicos estão em cima da deadline

O mundo tá louco e as pessoas estão doentes. Ou o mundo tá doente e as pessoas então ficando loucas?

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Eu sou o menino e 2016 é a rampa

Não sei se a ordem dos fatores altera o resultado. O fato é que esse aninho sem vergonha tem certa participação no abandono do blog. O que não quero para 2017, em que tentarei estar mais presente (isso já é uma promessa de ano novo?).

De todo modo, continuo twittando com frequência e às vezes publico no Facebook.

Blog atualizado agora é hora de comprar uvas-passas para o arroz!

E só para não deixar passar batido: #ForaTemer 😉

Anuviada

Para quem nasceu na secura de Goiás é meio escorregadio se adaptar à elevada umidade do ar catarinense, mas como sou torta na vida – tal qual as árvores de galhos tortos e raízes profundas (para buscar água lá no fundo da terra) do cerrado goiano – cá estou: molhadinha, andando entre a água.
De água sempre gostei, por mais que a hora do banho formal, aquele com sabonete e kwell, fosse sempre um drama. Mas de água sempre gostei, por mais que custasse um castigo por tomar banho de chuva ou por ir pro rio sozinha (mas a Manuela foi junto, alegava e me só me incriminava mais), ou por entrar em mar bravo, ou por me molhar com uma garrafinha d’água (!) mais do que devia após uma partida de tênis, ou  por deixar a mangueira ligada para encharcar o quintal… Bom, deu para entender, sim? De água sempre gostei.

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