A vida que insistimos em anestesiar

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A Cada dia percebo que as coisas estão ficando mais e mais insanas e que a normalidade, em todas as suas variáveis, é um estado psicológico de defesa. Nós estamos constantemente nos alienando do mundo cruel e violento, pois como seres sociais que somos, vivemos em uma sociedade que nos destrói. Assim nos alienamos e para não nos incomodar, nos alienamos para não chorar, nos alienamos para não se exaltar, enfim para não sofrer, mas infelizmente ao nos refugiarmos da realidade contribuímos, e muito, para a condição de domesticação humana. Infelizmente, ou felizmente, fechar os olhos não impede que você, eu e nós, cotidianamente, a senhora realidade nos de tapas na cara. Mesmo que só compreendamos seus efeitos tardiamente. Se pararmos para sentir a dor, sem medo deste constante contato da realidade, poderemos ver que o tabefe se torna um afago de compreensão critica sobre o que é mesmo essa realidade. É possível, dentro da cultura do silêncio que nos apresentaram, e que tanto protegemos nos colocarmos na posição de enfrentamento da sedutora abdicação generalizada que nos rodeia. Abdicação que tem no consumo o preenchimento do vazio social… de nossa necessidade de gente. Essa abertura, confrontada com a realidade que eu e o outro vivenciamos nos fará mais tolerantes com a existência intencional de muitas outras pessoas… Poderemos até um dia perceber que perto de nós, em um beco escuro e sujo, vivem pessoas. E nos questionaremos se ela, enquanto gente, esta de fato vivendo como tal? Não adianta tapar os olhos com pão ou circo, pois essa sua coleira nunca vai deixar de se apertar, até chegar o dia em que os seus olhos ficaram permanentemente fechados. E eis a questão que surgirá… O que eu vivi? E acompanhada dela a terrível percepção de que a minha vida foi vivida para os outros e que o tempo nunca realmente volta atrás.

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A Esperança

angeli-reduc3a7c3a3o-da-maioridade-penalPensando na humanidade… uma reflexão deste Zé ninguém que vos fala:

O POETA CHORA!!! chora pelas lágrimas dos que ainda não tem consciência de sua fatalidade

Carne, Sonho e Vida,

Esta ou aquela? Não importa sempre haverão preciosos números em vão,

…Pois a …Carne e os sonhos diferentemente velados sempre estão

…Por quem? Pelas mães, pelos filhos ou pelo genocídio do apoio político?

…Vivemos reclusos em um  crítico Estado,  ou  em estado crítico? 

 …É triste a realidade perdida de jovens e velhos  sem brilho no olhar, sem futuro pra almejar..

…cavam, cavam em seus peitos…  almejam ao liquido rarefeito..

E de repente um sorriso….

  acompanhado de um grito agudo e abafado, na surdez do cotidiano, violento e apassivado,

“ É ESPERANÇA!!!!…”

A vida humana!

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O que seria a vida se não um amontoado de escolhas aleatórias, de coisas mais ou menos planejadas e objetivadas e de almas mais ou menos perturbadas lutando para que suas vivências tenham algum sentido por si e para os outros em um jogo de sorte.
Nesse turbilhão de ilusões, perdas, sucessos inócuo de individualismos materiais oriundos de um extravagante amor próprio é bom sentir o coração e saber que de fato ele bate. Não o meu coração mas o coração que bate independente de nós, o coração da mãe, da família dos amigos verdadeiros e escassos, que cultivados a partir de uma pequena e frágil sementinha, podem se tornar grandes árvores fortes robustas capazes de arranhar o céu.
Acho que a felicidade é isso, arranhar o céu!! Alcançar o inalcançável, superar os grandes muros da distância e da alma que sozinha não é fértil suficiente para erguer-se em direção ao oceano sublimado. É por isso que hoje, somente por mais um dia, consegui arranhar o céu!
É no seio da alteridade que se funda o amor e este encontrou seu lugar organicamente intrincado na complexidade do corpo e da alma que busca com o desespero dos náufragos pela vida, arranhar a superfície, o céu, o fôlego e a vida.
Que a sorte seja lançada!

A GRANDE IDEIA

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As pessoas acham que para mudar o mundo e torná-lo melhor para todos, é necessário grandes atos, e que para isso você tem de ter poder, ou seja, ser um político, um Juiz; um chefe de estado, ou organização mundial e ter muito dinheiro… Alguns acham inclusive que o único jeito é ser um super-herói. O Batman conjuga as duas ultimas coisas!!!!! (Mas me questiono como uma pessoa multimilionária, que ganha seu dinheiro da exploração de trabalhadores e bate em bandidos, comprovadamente oriundos da falta de emprego e das relações sociais envoltas nele…pode ser um herói???) O problema disso tudo, é que a mudança sempre está no outro, nunca na gente, é sempre responsabilidade de alguém que tenha se comprometido com a coletividade e que até admiramos por isso.

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Contos dos irmãos Grimm – A raposa e o gato

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Aconteceu que o gato encontrou a raposa em uma floresta. O gato pensou consigo mesmo, ele é inteligente e cheio de experiência, e muito estimado no mundo, e resolveu por isso falar com o outro animal diante do amistoso caminho.

– Bom dia, querido Senhor Raposa, como você está. Como andam as coisas com você? Como você está lidando com estes tempos difíceis?
A raposa, completa de todos o tipo de arrogância, olhou para o gato da cabeça aos pés, e por um longo período de tempo não se soube se ele daria qualquer resposta.
– Afinal, disse ele, como ousa um miserável limpador de barba, um tolo malhado, um mero e faminto caçador de ratos, usar sua bochecha para perguntar como eu estou indo. O que você pode estar pensando. O que você aprendeu. Quantos conhecimentos você têm?

– Eu entendo muito bem somente um, respondeu o gato, modestamente.

– Qual conhecimento, perguntou a raposa.

– Quando os cães estão me perseguindo, eu posso saltar em uma árvore e me salvar.

– Que conhecimento é esse – disse a raposa ridicularizando o gato e complementou apontando para sua cabeça. Eu sou o mestre da sabedoria detenho uma centena de conhecimentos em meu saco de astúcia. Você me faz ter pena de sua ignorância. Venha comigo, eu vou te ensinar como ficar longe das pessoas e dos cães. Nesse momento chega um caçador com quatro cães. O gato saltou agilmente em uma árvore, e sentou-se bem ao topo, onde os ramos e folhagens são bem escassos.

– Abra seu saco, Senhor raposa, abra seu saco – clamou o gato de cima da árvore, mas os cães já tinham o cercado, e logo foi capturado – Ah, Senhor raposa, gritou o gato. Você e suas centenas de conhecimentos foram deixadas na mão. Se você tivesse sido capaz de subir na arvore como eu, você não teria perdido a sua vida.

Moral da história: Não importa a quantidade de conhecimento ou o grau de assistencialismo que somos impelidos a seguir e aceitar, se este não nos ajuda na práxis cotidiana de nossa necessidade diante da realidade vivenciada.