Not, sir

Não é ridículo que a Inglaterra, talvez a nação que, ao se lançar ao mar, mais invadiu, matou e explorou povos pelos quatro cantos do planeta (sem falar na cagação de regra pra cu/país alheio), não é ridículo que a terra da Rainha-omissa seja a mais veemente em dar um belo e sonoro “No, sir” para pessoas que se lançam ao mar não por opção, mas pela indiferença entre morrer no mar ou morrer de fome?
Enquanto isso o bebê real passa bem em seu castelo de verão. Na Austrália.

Originalmente publicado no Facebook. 

A vida que insistimos em anestesiar

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A Cada dia percebo que as coisas estão ficando mais e mais insanas e que a normalidade, em todas as suas variáveis, é um estado psicológico de defesa. Nós estamos constantemente nos alienando do mundo cruel e violento, pois como seres sociais que somos, vivemos em uma sociedade que nos destrói. Assim nos alienamos e para não nos incomodar, nos alienamos para não chorar, nos alienamos para não se exaltar, enfim para não sofrer, mas infelizmente ao nos refugiarmos da realidade contribuímos, e muito, para a condição de domesticação humana. Infelizmente, ou felizmente, fechar os olhos não impede que você, eu e nós, cotidianamente, a senhora realidade nos de tapas na cara. Mesmo que só compreendamos seus efeitos tardiamente. Se pararmos para sentir a dor, sem medo deste constante contato da realidade, poderemos ver que o tabefe se torna um afago de compreensão critica sobre o que é mesmo essa realidade. É possível, dentro da cultura do silêncio que nos apresentaram, e que tanto protegemos nos colocarmos na posição de enfrentamento da sedutora abdicação generalizada que nos rodeia. Abdicação que tem no consumo o preenchimento do vazio social… de nossa necessidade de gente. Essa abertura, confrontada com a realidade que eu e o outro vivenciamos nos fará mais tolerantes com a existência intencional de muitas outras pessoas… Poderemos até um dia perceber que perto de nós, em um beco escuro e sujo, vivem pessoas. E nos questionaremos se ela, enquanto gente, esta de fato vivendo como tal? Não adianta tapar os olhos com pão ou circo, pois essa sua coleira nunca vai deixar de se apertar, até chegar o dia em que os seus olhos ficaram permanentemente fechados. E eis a questão que surgirá… O que eu vivi? E acompanhada dela a terrível percepção de que a minha vida foi vivida para os outros e que o tempo nunca realmente volta atrás.

Titri

Faz frio, estou no Ti.. Ti… Como é mesmo o nome?  Titri. Que palavra estranha à boca. Parece agosto. 9 de agosto. 9 graus de agosto. Avanço um ano. Estamos em julho. 9 graus de julho. Felizes. Como pinto no lixo. Vivendo de beijo na boca. Abrigo bege e cafona. Abrigando uma pessoa bege e cafona, e ainda assim feliz. Como um pinto no ônibus.

E no inverno o calor parecia que nunca ia acabar. No verão a temporada de chuva durou mais tempo que a superfície árida estava acostumada a suportar.

O ônibus chegou. Vou embarcar.

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A vida humana!

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O que seria a vida se não um amontoado de escolhas aleatórias, de coisas mais ou menos planejadas e objetivadas e de almas mais ou menos perturbadas lutando para que suas vivências tenham algum sentido por si e para os outros em um jogo de sorte.
Nesse turbilhão de ilusões, perdas, sucessos inócuo de individualismos materiais oriundos de um extravagante amor próprio é bom sentir o coração e saber que de fato ele bate. Não o meu coração mas o coração que bate independente de nós, o coração da mãe, da família dos amigos verdadeiros e escassos, que cultivados a partir de uma pequena e frágil sementinha, podem se tornar grandes árvores fortes robustas capazes de arranhar o céu.
Acho que a felicidade é isso, arranhar o céu!! Alcançar o inalcançável, superar os grandes muros da distância e da alma que sozinha não é fértil suficiente para erguer-se em direção ao oceano sublimado. É por isso que hoje, somente por mais um dia, consegui arranhar o céu!
É no seio da alteridade que se funda o amor e este encontrou seu lugar organicamente intrincado na complexidade do corpo e da alma que busca com o desespero dos náufragos pela vida, arranhar a superfície, o céu, o fôlego e a vida.
Que a sorte seja lançada!

Tirando as teias de aranha

Na narrativa mais blogueira possível começo esse post dizendo “Oi, que saudades!” Eu fiquei duas semanas sem atualizar o Jabu (a não ser pelo vídeo que fiz com as freiras) porque estava resolvendo alguns problemas que adultos inventam para si – e aproveitei para dar um pulinho ali no Rio Grande (que você pode ver abaixo) – mas agora que eles estão parcialmente resolvidos é hora de volver. E volver com novidades!

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