Babolat

Entrou na quadra, olhou como sempre para tudo ao redor. Sorriso torto e sem graça para a adversária. Falava meio entre os dentes, não sabia exatamente como fazer aquilo tudo de socialização. Queria , por Deus, pular aquela parte e ir direto para qual perdia. Mas para chegar na parte em qual perdia primeiro ela teria que perder. Não que não gostasse de perder, é que perder demorava. Demorava ainda mais porque, no fundo, queria ganhar.

Podia ser pessimista ou realista, mas sabia que no fim não ganharia. Talvez por não se empenhar o bastante – ou só porque era ruim mesmo.

No fim, depois de uma coxinha com coca-cola, estava tudo bem.


Recuperado e adaptado de um blog quando tinha uns 16 anos (que tem textos muito melhores do que tenho publicado aqui).

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Todo dia ela vinha

Seus olhos diziam muito, sua expressão corporal também e, embora a situação em que se encontrava não fosse das mais favoráveis, tudo em Alice dizia que ela estava bem.

Alice era feliz.

Talvez seu pior defeito sempre fora esperar demais dos outros. Às vezes era surpreendida com exageradas demonstrações de carinho – em grande parte motivados por seus olhos doces – e às vezes ela esperava por tempo demais, até as circunstâncias mostrarem que daquele mato não sairia coelho.

Tudo bem, ela não se decepcionava.

Alice era feliz. Com seus olhos felizes,  rabo abanando felicidade,  seguia em frente,  buscando alguém que lhe desse um pouco de açúcar ou afeto.