O jornalismo e as p(a)utas

Mais uma mulher vítima de machismo por um profissional que, idealmente, deveria buscar a isenção e a objetividade. Mais uma mulher julgada por suas decisões. Mais uma mulher julgada por um jornalista.

A sorte de Andressa Urach é ser reconhecida nacionalmente, mas a pergunta é: até quando os jornalistas do alto de sua bancada continuarão julgando mulheres, travestis, violentadas sexualmente ou não?

O episódio aconteceu em Florianópolis, no Jornal do Meio Dia, onde Hélio Costa, que já tem um histórico comprometedor com o jornalismo sensacionalista, respondeu uma pergunta que não era dirigida para ele e achou que poderia meter o bedelho na vida de Andressa Urach, que assumidamente diz ter sido prostituta. Comparando Urach com sua mãe, o apresentador só maquiou seu machismo, tentou fundamentar seu julgamento, julgamento que como jornalista ele não deveria fazer.

A prática é comum, vem com a máscara de jornalismo opinativo, mas geralmente é feita sem a presença do “acusado”, que, se quiser se defender, precisa entrar na justiça pedindo direito de resposta. Desta vez, Hélio Costa teve a infelicidade de atacar não apenas uma famosa frente a frente, mas mais do que isso ele atacou uma mulher. E machismo no jornalismo… não dá para tolerar.

Sobre pauta e putas

Não acompanho a carreira de Urach e pouco sei sobre ela, mas como jornalista não cabe a mim dizer que suas decisões estão certas ou erradas. Se o tema da entrevista é o lançamento de um livro que trata sobre a vida dela, é preciso se ater a isso. Independente se ela escreve bem ou mal – ele teria lido o livro? – se está vinculado a uma estratégia de marketing ou se ela dançou na boquinha da garrafa. A pauta não era sobre o que ela fez da vida, a pauta era sobre o livro que ela lançaria em Florianópolis. Simples, não? Parece que não.

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JS4Girls: Garotas na programação!

Empoderamento feminino: o termo que se refere à integração das mulheres para garantir a igualdade de gênero em diferentes atividades tem ganhado lugar em vários ambientes e chegou para ficar também ao mundo da informática. Isso no que depender do JS4Girls, curso de introdução à linguagens de programação.

O JS4Girls, que significa JavaScript Para Garotas, teve sua primeira edição realizada no dia 15 de agosto deste ano, com o desafio de inserir as mulheres em um meio em que os homens predominam. Eles são maioria, mas não são os únicos! Muitas meninas também trabalham com diferentes cargos utilizando a linguagem de programação e são elas que estão dando vida ao JS4Girls. Voluntárias do mundo todo estão doando um pouco do seu tempo para ensinar outras meninas uma introdução de HTML, CCS e JavaScript, linguagens básicas no desenvolvimento de sites.

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Todo o evento, desde o conteúdo até às aulas, é voluntário e gratuito.

Do Brasil para o mundo

Na primeira edição 5 cidades participaram: Florianópolis, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Nova Friburgo. Foi como um evento teste, onde as orientadoras puderam ter ideia do que e como ensinar as meninas que até então não  tinham visto a tela do computador cheia de códigos coloridos compostos por letras, números e caracteres, tudo obedecendo uma ordem lógica.  A aula, que durou um sábado inteiro, acontecerá novamente, de acordo com a organização de cada cidade, com novas alunas e crescimento significativo.

A 2ª Edição acontecerá também na Nova Zelândia, Colômbia, Angola, Dinamarca, Espanha e Suíça, e a tradução do conteúdo já está sendo realizada para o inglês e o espanhol. Cada cidade tem sotaques e meninas singulares, em comum está o desejo de fazer um curso de meninas para meninas.

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Evento no Rio de Janeiro reuniu mais de 10 meninas

Por trás do JS4Girls há homens que também apoiam a presença igualitária das mulheres na informática, neste caso o mais engajado é Jean Carlo Nascimento, o Suissa, idealizador do curso. Suissa, que dá aulas online e presenciais sobre o tema é enfático ao afirmar que o meio da computação é permeado pelo machismo. “Em muitos anos lecionando tive poucas alunas. Meu objetivo com o JS4Girls é ajudar a criar um mercado igualitário”, explica.

O céu é o limite

Mesmo na 2ª edição o JS4Girls já nasceu com grandes pretensões, com aulas continuem “para sempre” e reunindo cada vez mais meninas. A ideia é que as interessadas se encontrem em uma aula introdutória. Após a aula presencial espera-se que seja possível realizar aulas online na plataforma WebSchool.io. Tudo gratuito e voluntário. Neste formato as garotas terão liberdade para aprender em seu ritmo e contar com a ajuda das organizadoras na primeira aula.

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Evento em Porto Alegre reuniu o maior número de meninas: foram 25 alunas!

Se você ficou interessada em levar o JS4Girls para sua cidade entre em contato através da página do evento no Facebook. Para se inscrever como aluna no 2º JS4Girls, basta preencher o formulário liberado semanas antes do evento em cada cidade. Fique atenta!

ServiçoJS4Girls

O quê: Curso de JavaScript para meninas

Quando: À combinar com a organização do evento na cidade.

Quanto: Gratuito

Onde: Consulte cidades na página do evento.

14 (+1) vezes que me perguntei por que fiz 4 anos de faculdade

Certamente uma depressão já te pegou e você ficou se questionando porque fez aquela faculdade, escolheu aquele emprego e qual o sentido da vida do universo e tudo o mais. Normal.

Mas a exposição envolvendo o jornalista nos dá motivo de sobra para perguntar “Oh Céus! Por que fiz quatro anos de faculdade?“. Separei aqui alguns momentos em que o desgosto bateu forte, mas não desisti, terminei e hoje tô diplomada!  Bora lá?

1. Podemos tirar se achar melhor. Sem palavras. Assim. Fica. Difícil. Te. Defender. Miga.

podemos tirar se achar melhor reuters o globo Continuar lendo

Premiação controversa

Por mais que você não tenha assistido ao #Oscar2015 dificilmente não se viu livre do assunto na internet, principalmente se, assim como eu, sua lista de amigos é composta por feministas, homossexuais ou negros (e se você tiver a mesma sorte do que eu, terá uma lista composta por estes três grupos). Saiba, eles foram muito bem representados nesta premiação. Uma premiação controversa.
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