O jornalismo e as p(a)utas

Mais uma mulher vítima de machismo por um profissional que, idealmente, deveria buscar a isenção e a objetividade. Mais uma mulher julgada por suas decisões. Mais uma mulher julgada por um jornalista.

A sorte de Andressa Urach é ser reconhecida nacionalmente, mas a pergunta é: até quando os jornalistas do alto de sua bancada continuarão julgando mulheres, travestis, violentadas sexualmente ou não?

O episódio aconteceu em Florianópolis, no Jornal do Meio Dia, onde Hélio Costa, que já tem um histórico comprometedor com o jornalismo sensacionalista, respondeu uma pergunta que não era dirigida para ele e achou que poderia meter o bedelho na vida de Andressa Urach, que assumidamente diz ter sido prostituta. Comparando Urach com sua mãe, o apresentador só maquiou seu machismo, tentou fundamentar seu julgamento, julgamento que como jornalista ele não deveria fazer.

A prática é comum, vem com a máscara de jornalismo opinativo, mas geralmente é feita sem a presença do “acusado”, que, se quiser se defender, precisa entrar na justiça pedindo direito de resposta. Desta vez, Hélio Costa teve a infelicidade de atacar não apenas uma famosa frente a frente, mas mais do que isso ele atacou uma mulher. E machismo no jornalismo… não dá para tolerar.

Sobre pauta e putas

Não acompanho a carreira de Urach e pouco sei sobre ela, mas como jornalista não cabe a mim dizer que suas decisões estão certas ou erradas. Se o tema da entrevista é o lançamento de um livro que trata sobre a vida dela, é preciso se ater a isso. Independente se ela escreve bem ou mal – ele teria lido o livro? – se está vinculado a uma estratégia de marketing ou se ela dançou na boquinha da garrafa. A pauta não era sobre o que ela fez da vida, a pauta era sobre o livro que ela lançaria em Florianópolis. Simples, não? Parece que não.

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Premiação controversa

Por mais que você não tenha assistido ao #Oscar2015 dificilmente não se viu livre do assunto na internet, principalmente se, assim como eu, sua lista de amigos é composta por feministas, homossexuais ou negros (e se você tiver a mesma sorte do que eu, terá uma lista composta por estes três grupos). Saiba, eles foram muito bem representados nesta premiação. Uma premiação controversa.
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